Algo sobre o que se chama de arte obscura. Um refúgio do mundo real e abstrações latentes em um baú.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Inflamável




Eu penso tanto e tão rápido. Na velocidade da luz.
Meu corpo não consegue acompanhar meu ritmo corrido e disforme, desastroso.
Poético.
A poesia está comigo.
Ela e eu. Nós duas temos uma história de dor e cumplicidade.

É como quando você pensa em algo totalmente insano e um cachorro solidifica seus pensamentos.
É um mistério. O mistério instiga e provoca a poesia.
A poesia é tradução. Tradução em hebraico.
 Tradução do que é intraduzível.

Ai de mim, que me sinto repreendida por mim mesma.
Sinto um nó cego retorcendo minha laringe e contorcendo os tecidos nervosos do meu corpo me fazendo escrava do meu próprio teto.

Eu ficaria aqui, a noite toda descrevendo minhas torturas internas, meus conflitos psicológicos. Mas eu tenho um defeito.
Tenho um corpo.
 E meu corpo é pouco pra mim. Eu exijo além da sua capacidade.




E eu não sou um fogo. Sou o produto inflamável mantido fora do alcance de crianças e da luz solar.
E este corpo é um extintor de incêndios.
Que branda o louco bombardeio de flores e amores.
Gritos e dores.


Um comentário:

  1. Adorei, realmente uma tradução (poesia) do que sentimos nós loucos poetas. Gostei do novo visual do blog tb. Abraço!

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